quinta-feira, 26 de junho de 2008

PRODUÇÃO DE LIXO EM UBERLÂNDIA ESTÁ MAIOR

De 1998 a 2007, a emissão de resíduos foi menor que o aumento populacional
De janeiro a abril deste ano foram geradas em Uberlândia 2.831 mil toneladas de lixo, o que representa um crescimento de 6,9% se comparado com o mesmo período do ano passado. O número representa uma interrupção na queda de produção de lixo per capita registrada de 1998 a 2007. Nesse período, a população Uberlandense cresceu aproximadamente 30%, enquanto a produção de resíduos urbanos aumentou apenas 16,5%; ou seja, nestes 10 anos, cada habitante deixou de produzir, por dia, 61 gramas de lixo. Pode parecer pouco, mas isto é o equivalente a 13.215 mil toneladas a menos de resíduos por ano. Segundo a Secretaria de Serviços Urbanos, a população de Uberlândia cresce, em média, 3,3% ao ano. Com base nesses dados, tudo indica que a produção de resíduos fechará 2008 com um crescimento superior ao da população — que até dezembro deve alcançar 613.112 mil habitantes. Projetando estes valores, teremos uma produção per capita de 594 gramas contra 568 gramas em 2007.

Conscientização

O aumento do poder de compra, as embalagens cada vez mais atrativas, o crescimento da população e o poder da mídia de persuadir o consumo de supérfluos estão entre os principais causadores do aumento de lixo no aterro sanitário.Na opinião de Maria do Rosário dos Reis, geógrafa da Prefeitura Municipal de Uberlândia, além de colocar em prática os princípios dos “3 Rs” (reduzir, reutilizar e reciclar), é preciso, em primeiro lugar, acrescentar mais um – o R de repensar. Será que precisamos colocar em outra embalagem uma verdura que já está devidamente embalada? Estamos desperdiçando? Será que damos a destinação correta aos materiais? Essas são perguntas que devemos fazer a nós mesmos, já que cada um é o responsável pelo lixo que gera. Para ela, a melhoria só é possível mediante mudanças de atitudes como comprar apenas o necessário, observar o prazo de validade para não desperdiçar, evitar os descartáveis, adquirir os produtos duráveis e retornáveis, procurar nova forma de aproveitar os alimentos e separar o lixo.“Consciência do que é certo ou errado as pessoas já têm, o que falta é ação. A nova ordem, no mundo inteiro, é reduzir o lixo produzido independentemente do crescimento da população. E isso é difícil porque é muito simples apenas colocá-lo da porta de casa para fora. Mas só de separar o lixo seco do úmido já ajuda, e muito”, afirmou.Ao fazer a separação do lixo, basta tirá-lo para fora nos dias em que não tem a coleta convencional. Ou então, a pessoa pode fazer um contato com o catador e adotá-lo, assim ele terá sempre a quem doar o material. Os resíduos todos misturados trazem inúmeras desvantagens, seja para o Município, para o catador ou para o morador, pois, além de dificultar a separação do material reciclável ou ainda de torná-los rejeitos, também atrai insetos, roedores etc.

Área central já foi mapeada

Uma análise gravimétrica dos resíduos urbanos que chegam até o aterro sanitário já começou a ser feita — em meados do ano passado — e vai dividir a cidade em setores para facilitar a identificação de problemas e a propostas de soluções.Uma das áreas que já foram mapeadas é o Centro da cidade. A análise concluiu que 48,08% do que é posto fora corresponde à matéria orgânica e 16,11% são considerados rejeitos, ou seja, 35,81% do que é descartado representa lixo reciclável que está indo para o aterro. Segundo Maria do Rosário dos Reis, geógrafa da Prefeitura Municipal de Uberlândia, o papel de cada empresa é ter um gerenciamento do lixo, seja doando ou vendendo. Para ela, que realiza um trabalho diário de visitas de conscientização, as empresas estão se conscientizando, principalmente, pela questão de obter certificado de qualidade, licenciamento ambiental, além do fato de o reciclável ter valor. “Por enquanto não existe a coleta institucionalizada, tudo depende do bom senso de cada um, e se as pessoas não podem se dar ao trabalho de separar o lixo reciclável que, pelo menos, separem o seco do molhado”, disse.

Coletores uniformizados

Na semana passada, a Prefeitura Municipal de Uberlândia entregou aos catadores de materiais recicláveis que percorrem os bairros Jaraguá, Luizote e Canaã 20 carrinhos, uniformes e crachás. Formalizados, estes catadores farão um trabalho de porta em porta visando a aumentar ainda mais o número de material que é recolhido. Em 2003, um estudo realizado constatou que 80% do material reciclável usado na cidade é aproveitado.Outro benefício entregue aos trabalhadores que buscam os recicláveis para repassarem às cooperativas foi a reforma do galpão onde o material é armazenado. Dois caminhões para o transporte do reciclável recolhido e sete servidores contratados para trabalhar no local também fazem parte do investimento. De acordo com o secretário de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, Cláudio Guedes de Oliveira, a única diferença no sistema de coleta seletiva já existente na cidade é a organização dos catadores que continuarão com liberdade para vender para quem quiser. Ele ainda explicou que a escolha dos bairros na região Oeste de Uberlândia se deve ao fato de a maioria dos catadores terem naquele lugar um ponto-de-venda dos materiais. “O projeto vai acontecer independentemente da liberação dos R$ 627.961,17 para a construção de mais dois galpões. Mesmo porque, a sua aprovação pode demorar cerca de 90 dias e ainda deve ser feita licitação para a obra”, disse. Cláudio Guedes afirmou que o sucesso do trabalho depende da adesão dos catadores e da aceitação da comunidade. Portanto, não se pode afirmar que o projeto vai implantar imediatamente a coleta seletiva na cidade toda que, por enquanto, não adotará um sistema próprio.

Catadores são formalizados

Dados da Associação dos Recicladores e Catadores Autônomos de Uberlândia (Arca) apontam que existem quase duas mil pessoas nas ruas da cidade em busca de materiais recicláveis. A Arca conta com 84 catadores associados e 28 empresas parceiras que doam materiais. Segundo o presidente da associação, Raul Peres, ações e iniciativas da Prefeitura são fundamentais para apoiar estes trabalhadores, já que a coleta seletiva é muito cara por não existir um grande comércio e demanda, e por ainda ser uma atitude de poucos. “Exige todo um processo que encarece, além da dificuldade causada pelo baixo valor da mercadoria. Para os catadores se manterem é preciso um grande volume, e para obter esse volume precisamos trabalhar uma conscientização massiva na cidade”, disse.O presidente afirmou que um dos caminhos para a melhoria é este projeto dos carrinhos entregues pela Prefeitura, além da construção de mais galpões e outras iniciativas. Hoje em dia, por semana, os catadores da associação recolhem mais de 10 toneladas de recicláveis. “Estes números são apenas estimativas. Agora com os primeiros carrinhos entregues vamos começar a quantificar”, afirmou.A Arca existe há um ano e quatro meses e realiza trabalho de conscientização em escolas, com crianças e empresas. Agora, com os catadores formalizados, o trabalho será feito com a dona de casa, de porta em porta.

O que o catador recolhe

Papel e papelão
Embalagens longa vida
Garrafas pet
Latas de alumínio
Vários tipos de metais: cobre, aço, chumbo, latão, zinco, entre outros.
Plásticos (exceto os que são misturados com outra substância, como papel ou laminado)
Pneus
Restos da construção civil
Óleo de cozinha, que pode ser depositado no vidro e depois retornar para a embalagem vazia do óleo e entregar ao catador
Garrafas de vidro (cervejas, refrigerantes etc.)
Parafusos

O que não é reciclável

CDs
EspelhoCristal
Louça Papel carbono ou papel químico
Papéis metalizados ou plastificados
Isopor

Fonte: Jornal Correio de Uberlãndia
Atualizada: 12/06/2008 - 19h43min

COMENTÁRIOS

Leandro Moro disse...

Achei a matéria muito interessante. Primeiro porque "a produção de lixo em Uberlândia" é um problema de todos e, as possíveis soluções também. Depois porque enfoca o veneno do consumismo. Consumir é ótimo! E quem não haveria de achar. Contudo não se trata de consumir apenas produtos, mas também idéias. Pois, estas devem expandir a consciência crítica e a arte de pensar. Como pensar é um trabalho bastante árduo, talvez por isso nem todos se dedicam a isso. Em último lugar, porque vejo que vivemos um dilema: conhecemos as forças que regem o Universo, mas não dominamos nossos impulsos. E aí eu me sinto muito mal, muito mal.
14 de Agosto de 2008 14:14

Beatriz G Zei e Giovanna Verzelone disse...

Lixo de Uberlândia

De janeiro a abril deste ano foram geradas em Uberlândia 2.831 mil toneladas de lixo, o que representam crescimento de 6,9% se comparando com o mesmo período do ano passado.O número representa uma interrupção na queda de produção de lixo per capita registrada em 1998 a 2007. Nesse período, a população Uberlandense cresceu aproximadamente 30%, enquanto cada habitante deixou de produzir, por dia, 61 gramas de lixo.Segundo a Secretária de Serviços Urbanos, a população de Uberlândia cresce, em média, 3,3% ao ano. Com base nesses dados, tudo indica que a produção de resíduos fechará 2008 com um crescimento superior ao da população que até dezembro deve alcançar 613.112 mil habitantes. Projetando estes valores, teremos uma produção per capita de 594 gramas contra 568 gramas em 2007.No entanto o Aterro Sanitário de Uberlândia foi escolhido como o melhor de Minas Gerais, recebendo recentemente o Prêmio Outro da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semads ), consideradas a gestão, a coleta e a destinação final. O aterro municipal, um dos 17 licenciados em Minas, tem sido apontado como modelo, recebendo a visita de técnicos sanitários de toda a região e até de outras partes do país.Enfim, gostaríamos de lembrar a todos que precisamos ajudar e para isso existem vários modos, como a reciclagem que já diminui bastante a quantidade de lixo ... Se cada um fizer sua parte teremos então um mundo melhor e muito mais limpo!
18 de Agosto de 2008 17:55

JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA disse...

Quais são as relações entre crescimento econômico e o volume de "resíduos de lixo"?
24 de Agosto de 2008 21:38

3 comentários:

Leandro Moro disse...

Achei a matéria muito interessante. Primeiro porque "a produção de lixo em Uberlândia" é um problema de todos e, as possíveis soluções também. Depois porque enfoca o veneno do consumismo. Consumir é ótimo! E quem não haveria de achar. Contudo não se trata de consumir apenas produtos, mas também idéias. Pois, estas devem expandir a consciência crítica e a arte de pensar. Como pensar é um trabalho bastante árduo, talvez por isso nem todos se dedicam a isso. Em último lugar, porque vejo que vivemos um dilema: conhecemos as forças que regem o Universo, mas não dominamos nossos impulsos. E aí eu me sinto muito mal, muito mal.

Beatriz G Zei e Giovanna Verzelone disse...

Lixo de Uberlândia

De janeiro a abril deste ano foram geradas em Uberlândia 2.831 mil toneladas de lixo, o que representam crescimento de 6,9% se comparando com o mesmo período do ano passado.
O número representa uma interrupção na queda de produção de lixo per capita registrada em 1998 a 2007. Nesse período, a população Uberlandense cresceu aproximadamente 30%, enquanto cada habitante deixou de produzir, por dia, 61 gramas de lixo.
Segundo a Secretária de Serviços Urbanos, a população de Uberlândia cresce, em média, 3,3% ao ano. Com base nesses dados, tudo indica que a produção de resíduos fechará 2008 com um crescimento superior ao da população que até dezembro deve alcançar 613.112 mil habitantes. Projetando estes valores, teremos uma produção per capita de 594 gramas contra 568 gramas em 2007.
No entanto o Aterro Sanitário de Uberlândia foi escolhido como o melhor de Minas Gerais, recebendo recentemente o Prêmio Outro da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semads ), consideradas a gestão, a coleta e a destinação final. O aterro municipal, um dos 17 licenciados em Minas, tem sido apontado como modelo, recebendo a visita de técnicos sanitários de toda a região e até de outras partes do país.
Enfim, gostaríamos de lembrar a todos que precisamos ajudar e para isso existem vários modos, como a reciclagem que já diminui bastante a quantidade de lixo ... Se cada um fizer sua parte teremos então um mundo melhor e muito mais limpo!

JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA disse...

Quais são as relações entre crescimento econômico e o volume de "resíduos de lixo"?